José Manuel Moran
Professor de novas tecnologias do curso de Televisão da Universidade de São Paulo. Autor do livro: "Mudanças na comunicação pessoal"
Muitas formas de ensinar hoje não se justificam mais. Mas, para onde mudar? Como ensinar e
aprender em uma sociedade mais interconectada? Avançaremos mais se soubermos adaptar os programas previstos às
necessidades dos alunos.
A aquisição da informação, dos dados dependerá cada vez menos do
professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens, resumos de
forma rápida e atraente. O papel do professor - o papel principal - é ajudar o
aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los.
Aprender depende também do aluno, de que ele esteja pronto, maduro,
para incorporar a real significação que essa informação tem para ele. Avançaremos mais pela educação positiva do que pela repressiva.
As mudanças demorarão mais do que alguns pensam, porque nos
encontramos em processos desiguais de aprendizagem e evolução pessoal
e social. Somente podemos educar
para a autonomia, para a liberdade com processos fundamentalmente
participativos, interativos, libertadores, que respeitem as diferenças, que
incentivem, que apoiem, orientados por pessoas e organizações livres. Aprender é passar da incerteza a uma certeza provisória que dá
lugar a novas descobertas e a novas sínteses.
Integrar os meios de comunicação na escola
Antes da criança chegar à escola, já passou por processos de
educação importantes: pelo familiar e pela mídia eletrônica. No ambiente
familiar, mais ou menos rico cultural e emocionalmente, a criança vai
desenvolvendo as suas conexões cerebrais, os seus roteiros mentais,
emocionais e suas linguagens. A criança também é educada pela mídia. A eficácia de comunicação dos meios eletrônicos, em particular da
televisão, se deve também à capacidade de articulação, de superposição e
de combinação de linguagens totalmente diferentes - imagens, falas, música,
escrita - com uma narrativa fluida, uma lógica pouco delimitada, gêneros,
conteúdos e limites éticos pouco precisos, o que lhe permite alto grau de
entropia, de interferências por parte de concessionários, produtores e
consumidores. A força da linguagem audiovisual está em que consegue
dizer muito mais do que captamos. A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas
linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações.
Preparar os professores para a utilização do computador e da
Internet
• O primeiro passo é facilitar o acesso dos professores e dos alunos ao
computador e à Internet.
• O segundo passo é ajudar na familiarização com o computador, com seus
aplicativos e com a Internet.
• O nível seguinte é auxiliar os professores na utilização pedagógica da
Internet e dos programas multimídia. Ensiná-los a fazer pesquisa.
Na sociedade da informação, todos estamos reaprendendo a conhecer,
a comunicar-nos, a ensinar; reaprendendo a integrar o humano e o
tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.
É importante conectar sempre o ensino com a vida do aluno. Chegar ao
aluno por todos os caminhos possíveis: pela experiência, pela imagem, pelo
som, pela representação (dramatizações, simulações), pela multimídia, pela
interação on line e off line. Tanto nos cursos convencionais como nos a distância teremos que
aprender a lidar com a informação e o conhecimento de formas novas, Assim poderemos aprender a mudar nossas
idéias, sentimentos e valores onde se fizer necessário.
Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos
simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm
distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar um verniz
de modernidade, sem mexer no essencial. A Internet é um novo meio de
comunicação, ainda incipiente, mas que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e
a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender.